Mas França, a história do pega ladrão era assim mesmo! Era um bando de gente correndo pra tudo quanto era lado. E durava muito tempo. Os caras se escondiam em tudo que era canto. Tinha vezes que ia todo o mundo embora e ainda aparecia algum bandido ou polícia desgarrado, com cara de bunda...já tinha terminado a brincadeira. Era uma brincadeira de pegar. Os "polícia" tinham que pegar os bandidos. E se dividiam em duas equipes. O Dênis (irmão do Pierre- Tiquilim) era um dos mais cobiçados - corria muito!! E quem corria mais levava vantagem pra sua equipe. Muitas vezes só se sabia que tinha vencido no dia seguinte quando vinham os comentários...E no verão eram todos suados... Se fosse hoje tava todo o mundo em cana mesmo! Lembro que já pelo final dos tempos, tomamos alguns atraques da polícia e da Brigada. Uma vez foi no próprio muro do Neco- nosso reduto irretocável. Quando pára o carro, sai o Raul (um dos mais velhos moradores do Ed Marcelo, amigo do Zé- irmão do Neco) e sai avisando "tá tudo em casa: são gente da rua, pode deixar comigo". Foi ovacionado. Ele também era da polícia!
Mas algumas vezes fomos revistados. Outras vezes era a dona Nadja-mãe do Neco que nos salvava! Abria a janela que dava pra frente do muro e botava a boca nos brigadianos. Não se tinha muita defesa era do Seu Ari-pai da Maria Inês que morava na casa sobre a do Neco. Ele chegava, e claro, enxotando a todos que estavam em frente à porta dele: "Vamo sair daí cachorrada". "Não quero barulho na minha porta". E pegava um cabo de vassoura ameaçando. Mas era gente boa, entrava na gozação também, depois.
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